Abelhas nativas sem ferrão

Abril 21, 2011 at 3:39 pm 12 comentários

Ninho de abelhas Mandaçaia

Finalmente consegui participar do curso de meliponicultura. Foi simplesmente maravilhoso!!!

Meu interesse pela Meliponicultura se deve obviamente para usufruir dos produtos (mel, própolis, pólen), mas também pela importância ecológica desta atividade.

No Brasil há em torno de 300 espécies de abelhas nativas sem ferrão, carinhosamente apelidadas de “abelhinhas”. A maior parte dessas espécies está na região norte. Mas também há diversas espécies presentes na região sul.

As abelhinhas são de grande importância ecológica, pois:

  • Polinizam de 40 a 90 % das árvores nativas, com importante papel na formação e manutenção das florestas;
  •  Garantem a produção e qualidade de frutos e sementes e a diversidade genética;
  • Principais polinizadores de cultivos agrícolas (aumento da produção);
  • Utilizadas em estufas para polinização, como morango e tomate;
  • Produção de alimentos.

Entretanto, infelizmente, há um enorme número de espécies em risco de extinção ou já extintas. Dentre as razões do problema estão: destruição de seus habitats, concorrência de território com a Apis (abelhas com ferrão, amplamente conhecidas. São exóticas, trazidas da Europa e África). Outro fator que agrava o problema é a falta de conhecimentos, da população em geral, de suas características e importância. Nesse sentido é comum que enxames sejam exterminados por medo ou para coleta de mel de forma predatória sem os devidos cuidados.

Experimentando mel diretamente no local do enxame...

Experimentando mel diretamente no local do enxame...

Outro problema a ser superado é a desvalorização dessas abelhas devido a sua “baixa produtividade”.  Na verdade as abelhas nativas são bastante produtivas, porém seus enxames são pequenos e por isso a produção de cada enxame varia entre 1 e 6 kg de mel dependendo da região e da espécie.  Entretanto é preciso considerar que seu mel tem mais propriedades medicinais (por ser mais líquido e conter menos açúcar as abelhas agregam mais enzimas e antibióticos para ajudar na conservação) e sabores especiais.  Portanto esse mel tem mais valor bastante agregado sendo comercializado a partir de R$50,00 por kg.  Mas realmente, na minha opinião, o maior benefício é a preservação dessas espécies tão importantes e lidar com abelhas sem ferrão (que é uma delícia!).

No vídeo abaixo é possível observar como é tranquilo lidar com as abelhinhas.  Nós estavamos fazendo uma divisão de enxame da espécie Mandaçaia. Pegamos um enxame com grandes número de abelhas e forçamos as operárias a sairem para entrar na nova caixa. Obviamente as abelhas ficaram stressadas com toda a movimentação e foram “agressivas”. No caso dessa espécie agressividade significa voar ao nosso redor nos atordoando com um barulho semelhante ao das Apis (no início dá um certo medo, pois nos lembra Apis e dá a sensação de que irão nos ferroar).


O curso foi ministrado pelo Pedro no Sítio Arte Viva (http://www.artevivatear.com.br/), onde mora em Florianópolis.  O  sítio é um exemplo de sustentabilidade, contando com produção de alimentos, marcenaria (especializada na fabricação de teares – que o Pedro aproveita para fazer caixas para as abelhas), atelier de tear e pintura, espaço de cursos etc.

A vasta experiência do Pedro, sua preocupação ecológica, tranquilidade entre outras qualidades tornaram o curso realmente especial. O Pedro tem a cultiva o maior número possível de espécies nativas de santa Catarina. Ele está organizando uma trilha educativa para apresentar informações didáticas das 15 espécies de abelhas nativas sem ferrão que possui no sítio:

  1. Mandaçaia:( M.quadrifaciata)
  2. Manduri(M. marginata)
  3. Tujuba(M. mondury)
  4. Guaraipo(M. bicolor)
  5. Jataí(Tetragonisca angustula)
  6. Iraí(Nanotrigona testaceicornis)
  7. Mirim Droryana(Plebeia Droryana)
  8. Mirim Preguiça(Plebeia remota)
  9. Mirim Emerina(Plebeia emerina)
  10. Mirim Saiqui(Plebeia saiqui)
  11. Mirim Nigriceps(Plebeia nigriceps)
  12. Tubuna(Scaptotrigona bipunctata)
  13. Boca de Sapo(Partamona helleri)
  14. Irapuá(trigona spinipis)
  15. Caga fogo(Oxitrigona tataíra)
No curso estudamos  diversos aspectos teóricos da meliponicultura e também fizemos atividades práticas. Dentre as práticas visitamos e discutimos características específicas de diferentes espécies (incluindo degustações de mel – oba!!) e  fizemos transferência e divisão de enxames.
No vídeo abaixo o Pedro está nos mostrando a espécie Guaraipo. Essa espécie é realmente incrível pois são as únicas a possuírem mais de uma rainha por enxame.  Além de serem super dóceis e  razoavelmente produtivas (em torno de 2kg de mel por ano).

Para quem quiser conhecer mais a fundo a meliponicultura sugiro o livro “Vida e Criação das Abelhas Indígenas sem Ferrão” livro amplamente reconhecido na área e disponível na área de publicações do site do Laboratório de Abelhas – USP:
http://eco.ib.usp.br/beelab/pdfs/livro_pnn.pdf

Também há inúmeros Blogs, vídeos no Youtube e materiais na rede. Gostei especialmente de um Blog:

http://valedapedrabranca.blogspot.com/

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Se não for divertido não é sustentável… Um outro mundo está na barriga deste!

12 comentários Add your own

  • 1. Niusiber dos Santos Silva  |  Abril 21, 2011 às 11:48 pm

    Hoje pela manhã ao caminhar com meus cães pelas ruas de Curitiba-Pr, encontrei uma moradia de Jataí na bese de um tronco de uma árvore, fiquei admirado e estou pensando o que posso fazer para presevá-las. Eu como filho de agricultor, criado até meus 19 anos na lavoura, sei que são frágeis.
    Agora anoite pesquisando na internet encontrei o site e quero pedir achuda, caso conheça alguma ong para solicitar ajuda ambiental para as abelhas.
    Hoje visitei as a tarde e fiquei minutos osbservando-as como estavão trabalhando para proteger a entrada sua casinhas, mais o local é muito exposto, qualquer animal o até mesmo alguém pode pisar se perceber ou com mal intenção destru-í-las.

    Responder
    • 2. Carapeços Arriada Mônica  |  Abril 22, 2011 às 11:56 am

      Olá Niusiber,
      A espécie Jataí é a mais adaptada ao meio urbano. É muito comum encontrá-la em cidades, elas fazem ninhos até em muros. Se você diz que está em um tronco de árvore é um local ideal para elas e provavelmente o ninho esteja bem protegido. Portanto, a princípio não há problemas dela permanecer no contexto urbano.

      Transferir um ninho é um processo complicado, especialmente se retirar de troncos, em geral envolve derrubar a árvore. Portanto, na minha opinião considero mais adequado deixar o enxame onde está. Também porque essa abelha é tão pequena e dócil que o mais comum é as pessoas nem perceberam o ninho…

      Em último caso, se realmente houver grande risco, sugiro procurares Meliponicultores em Curitiba.

      Abraços,
      Mônica

      Responder
  • 3. juarez  |  Maio 28, 2011 às 9:24 pm

    olá sou um mini meliponicultor e gostaria de obter informações sobre as abelhas nativas sem ferrão, principalmente mandaçaia, jataí, uruçú, munduri e outras agradeço mesmo por todas as informações que forem mim cedidas

    Responder
  • 4. juarez  |  Maio 28, 2011 às 9:26 pm

    quero saber informações sobre jatai,mandaçaia,uruú,munduri e outras apelhas naticas sem ferrão.

    Responder
  • 5. Carina  |  Junho 3, 2011 às 8:19 pm

    Oi Monica, tudo bem?

    Pesquisando sobre blogs sobre sustentabilidade encontrei o seu! E por coincidência, vi este post sobre abehas sem ferrão. Sou do laboratório de abelhas da Usp e acabei de defender meu mestrado, estudei a abelha mandaçaia.
    Também me interesso muito por permacultura e já dei um curso de abelhas sem ferrão no Ipema, Ubatuba.
    Legal o seu interesse, esses pequenos insetos são muito interessantes e apaixonantes. Se precisar de algo, entre em contato comigo: carina.abreu10@gmail.com
    Abraço

    Responder
    • 6. Carapeços Arriada Mônica  |  Junho 13, 2011 às 9:29 pm

      Oi Carina,
      Obrigada pela disponibilidade será muito legal trocar informações sobre meliponicultura. E gostaria de conhecer sua dissertação. Já está disponível online?
      Vamos manter contato.
      Abraços,
      Mônica

      Responder
  • 7. therezinha Maria Rech  |  Outubro 18, 2011 às 9:15 pm

    estou querendo saber onde posso adquirir, o mel de abelha sem ferão, aqui em Curitiba, tenho um parente que tem diabetes e câncer de pulmão, o médico receitou este mel.
    Por favor se alguém souber onde posso compra-lo, ficarei imensamente grata, mas, tem de ser de produtor muito confiável, por favor.
    e-mail: there.02@hotmail. com
    meu nome Therezinha Maria

    Responder
    • 8. Carapeços Arriada Mônica  |  Outubro 21, 2011 às 4:11 pm

      Olá Therezinha,
      Em Curitiba não sei indicar, mas em Curitiba há uma grande variedade de casas de produtos naturais onde provavelmente você conseguirá encontrar. Certamente também existem associações de apicultores que saberão indicar meliponicultores por aí.

      Conheço um meliponicultor de Florianópolis. Ele mora em um sítio, onde também está localizada a empresa de teares de seus pais. O nome dele é Pedro, seu contato é: http://www.artevivatear.com.br/faleconosco/index.php.

      Responder
  • 9. Pedro Paulo  |  Março 22, 2012 às 2:01 am

    ATENÇÃO: Neste exato momento alguns meliponicultores comerciais estão tentando modificar a legislação ambiental p/ permitirem a criação de Abelhas sem Ferrão fora de seus locais de ocorrência natural. Querem isso p/ obterem lucro vendendo enxames p/ todo território nacional e até p/ o exterior favorecendo a bio-pirataria. Não podemos deixar isso ocorrer!

    Responder
  • 10. Dorival Prado  |  Abril 30, 2012 às 9:34 pm

    Olá
    Onde posso fazer um curso sobre a Meliponicultura, especialmente sobre a a Mandaçaia ? Obrigado,
    Dorival
    dorivalprado@hotmail.com
    Skype: dorivalesonia

    Responder
  • […] o artigo completo em https://vidasustentavel.wordpress.com/2011/04/21/abelhas-nativas-sem-ferrao-2/ Postado em Notícias | Marcadores abelhas, meliponicultura | Deixe um […]

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